Senado fará licitação de R$ 2,49 mi para substituir mobiliário
Leandro Colon - Correio Braziliense
Publicação: 16/01/2009 08:42 Atualização: 16/01/2009 08:43
Os senadores não poderão reclamar de desconforto para trabalhar em 2009. Cada um dos 81 parlamentares terá à disposição em seu gabinete uma cadeira nova de couro preto, costura dupla, encosto alto, apoio na cabeça, espuma de poliuretano, e, para completar, uma base giratória que permite movimentos silenciosos e giros de 360 graus.Na contramão do corte de gastos com a crise financeira mundial, o Senado fará uma licitação de R$ 2,49 milhões em 3 de fevereiro para comprar 1724 cadeiras e 62 sofás. O edital foi publicado na quarta-feira passada. Do material, 85 cadeiras luxuosas são destinadas aos senadores e à Mesa Diretora. O documento não poupa exigências à qualidade. Os senadores só aceitarão cadeiras com “assento estruturado em concha”. Importante: a regulagem da altura deve ser pneumática ou a gás. Será aceita somente cobertura dos braços das cadeiras em alumínio ou aço cromado, “fixada à estrutura da base e não diretamente no assento”, exige o edital.O Correio fez uma pesquisa de preços em um shopping especializado de Brasília e em lojas na internet. A reportagem não encontrou nenhuma cadeira dessa por menos de R$ 1,1 mil. Um preço inferior até é possível, desde que ela não seja revestida por couro legítimo. O problema é que o edital é claro: “couro preto, com acabamento em costura dupla”. Dependendo do modelo e da marca, uma cadeira pode chegar a R$ 4,8 mil.O Senado comprará, por exemplo, 354 com os mesmos requisitos, mas sem o encosto de cabeça e o couro. Exige-se, porém, “tecido de fibra natural do tipo lã antialérgica ou algodão”. Os preços de cada uma variam de R$ 300 a R$ 850. Dessa vez, permite-se a cor azul para a empresa interessada em participar da concorrência. Essas cadeiras serão usadas pelas áreas administrativas da Casa, como a TV Senado e a Secretaria-Geral. Há, inclusive, 215 do tipo “interlocutor”, para receber visitas, sem falar nos sofás azuis de “borda arredondada”. Serão comprados 12 de um lugar, 45 para duas pessoas, e 5 de três assentos. A empresa vencedora com o menor preço oferecido terá 60 dias para entregar o material após a assinatura do contrato, o que deve ocorrer ainda em fevereiro. O edital estima um valor global de R$ 2.490.961,42 com as despesas.
A reportagem procurou o presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), para comentar o gasto milionário num período em que há apelos por cortes de despesas nos órgãos públicos. Sua assessoria informou que a responsabilidade é do diretor-geral, Agaciel Maia. À reportagem, Maia alegou que os recursos já estavam previstos no orçamento. A compra do material, segundo ele, servirá para substituir cadeiras e sofás que estariam deteriorados. “Isso tudo obedece a critérios. Há uma demanda de várias áreas. A aquisição é para todas as unidades”, disse.DiscursoRespondendo pela Secretaria de Comunicação Social, a diretora da TV Senado, Virgínia Galvez, reforçou o mesmo discurso. Em e-mail, ela explicou que, segundo o diretor de Patrimônio do Senado, Aloysio Novais Teixeira, a aquisição de cadeiras servirá “para os próximos 5 anos e constitui previsão orçamentária já realizada. Destinam-se à reposição de material desgastado pelo tempo e uso”. “A própria TV Senado aguarda a mencionada aquisição para substituir cadeiras danificadas e complementar a necessidade da área”, afirmou.A direção-geral não soube informar quando ocorreu a última troca de cadeiras e sofás na Casa. As do plenário não serão trocadas agora. Segundo o Senado, é preciso uma autorização do arquiteto Oscar Niemeyer para fazer esse tipo de mudança.
http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_3/2009/01/16/noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=66845/noticia_interna.shtml
Da Blogueira:
Perfeito. Vamos pensar que esta é a nossa empresa e eles são nossos funcionários ou, no jargão PC, nossos colaboradores. Ok. Somos a presidência da empresa, os donos do babado, aqueles que mandam no balacobaco. Nós assinamos os cheques para pagar as contas mas, em contrapartida, ficamos com os lucros produzidos. Então nossa empresa está indo "de vento em popa", singrando em mares de tranqüilidade, vendas elevadas, estamos satisfeitíssimos com os resultados do último ano, especialmente do último trimestre. Crise e falta de dinheiro? Palavras, expressões riscadas de nosso dicionário e vocabulário. Como eu disse no início, per-fei-to. Como somos uma empresa comprometida com nossos colaboradores, recebemos e retribuímos e então vamos trocar as cadeiras deles. Sim, pois eles merecem, eles somente nos trazem alegrias em forma de lucros e cada vez mais clientes, e clientes satisfeitos. Vamos trocar essas cadeiras que eles usam, que estão boas, diga-se, mas para motivá-los mais, deixá-los mais satisfeitos, mais orgulhosos pela função que desempenham, para que sintam prazer em vir para o trabalho e produzir ainda mais e ainda melhor. Isso, gastaremos uma "baba" para trocar as cadeiras dos nossos 81 diretores. E ainda mais para os gerentes, funcionários e clientes que nos visitam. Vai ficar uma belezura. Claro, cadeiras "top de linha" para nossos diretores, cadeiras de CEO's, óbvio. Inadmissível se for menos que isso, eles merecem, estão com a "bola toda".
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Que tal sairmos da fantasia? Estou para ver uma empresa que compra esse tipo de cadeiras para seus colaboradores, com tantas exigências e tão caras, que não seja para o CEO e assemelhados. Diretores, gerentes e cia têm assentos mais modestos. Mas, como eu disse em outro post a algum tempo atrás, não precisamos nivelar por baixo. Não duvido que existam empresas, e não poucas, que têm um mobiliário fantástico para o trabalho de seus colaboradores, afinal, quando se tem dinheiro, quando há lucros e os acionistas estão satisfeitos, por que não melhorar a qualidade de vida dentro do trabalho? Princípio básico de uma administração que pensa no todo. Mas e agora, caros chefes de nossos parlamentares? Vocês estão satisfeitos com o que veêm e ouvem sobre o trabalho deles? Será mesmo necessário gastar essa pequena fortuna em cadeiras neste momento? Tudo bem, "estava previsto no orçamento", mas quando está previsto no orçamento e tenho uma revés por causa de uma crise mundial que não estava prevista, o que manda meu bom senso? Não gastar com o que não seja absolutamente essencial. Afinal, seria tolice sair torrando em tempos de grana curta e futuro incerto. Mas, como o dinheiro não é deles, se estava previsto, então podem gastar. Bom, eles falam que isso é para os próximos 5 anos. Fabricantes medianos, que vendem cadeiras por R$ 500 dão garantia de até 5 anos para seus produtos. Logo, cadeiras de maior custo, segundo o apurado pelo Correio, que custam pelo menos R$ 1.000 devem dar alguma garantia também, concordam? Imagino pelo menos 5 anos de garantia. Mas espera, como assim esse gasto é para os próximos 5 anos? Isso por acaso significa que daqui a 5 anos eles irão gastar de novo para substituir essas cadeiras que serão compradas agora? Não, pessoal, isso é inadmissível. Eu tenho sofás de 4, 6 e 15 anos de uso e todos estão em perfeito estado, com excelente conservação. Aposto que não sou a única. E se as cadeiras que o senhores parlamentares irão comprar são assim tão boas, estarão boas ainda daqui a 5 anos, logo, nada de comprar cadeiras novas daqui a 5 anos. Espero que eles não façam isso. Eu já estou sentindo-me lesada com essa compra de agora, imagina se eles repetirem a dose em 2014.
Mas vamos pensar que não existe crise, nem mundial, nem nacional, nem nada. Que tudo está bem e que não há nem sombra de crise em parte alguma, muito menos no Brasil. Está previsto no orçamento, as cadeiras atuais estão realmente precisando ser trocadas, nossos parlamentares são exemplos de lisura e bom trabalho. Tudo está um sonho, temos dinheiro e vamos realizar esse gasto. Talvez possa até ser visto como um investimento. Então vamos, antes de fazer esse gasto, como faríamos em uma empresa, analisar se as demais previsões orçamentárias foram cumpridas, se os demais investimentos foram realizados, se as despesas que são prioritárias foram feitas. Afinal, como gestores, temos que acompanhar todas as áreas. Eis um pequeno resultado da minha busca:
Em 2008 o governo federal investiu apenas 22,5% do previsto no orçamento com obras de infraestrutura, moradia, saneamento, transportes, investimentos na área rural. Eu pergunto: o que é mais importante? Cadeiras novas para os parlamentares ou infraestrutura, moradia, saneamento básico, saúde e outros itens para a população? O que gera mais valor, melhor e maior distribuição de renda e empregos, as benditas cadeiras ou as obras? http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/vidapublica/conteudo.phtml?tl=1&id=845751&tit=Em-2008-governo-federal-investiu-em-obras-apenas-225-do-previsto
2 comentários:
Oi moça!
passei pra conhecer seu "canto" e dizer que AMEI O NOME do seu blog... :)
beijo grande!
Fala sério, sacanagem como diz aqui !
To pasma, como nem sempre nos mantemos informados com assiduidade aos fatos dos gastos no governo, quando lemos, ficamos tão enervados, que dá um troço
Que post interessante, e principalmente pra nos informar, e nos colocarmos á par da situação, gostei do seu comentário da blogueira, muito bom.
Chris
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